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Obesidade Infantil: o perigo começa na gestação

13% das crianças brasileiras sofrem com esse quadro, de acordo com o Ministério da Saúde

Entenda como a gravidez e os primeiros anos de vida do bebê influenciam nesse processo.

A obesidade infantil pode ter consequências nocivas que o indivíduo levará para o resto da vida. De acordo com previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade irá atingir 700 milhões de pessoas até 2025, das quais 11,3 milhões serão crianças brasileiras. O papel da família é determinante no controle dessa doença, mas os cuidados devem começar muito antes de seu nascimento.

“Hoje, sabemos que as condições em que o feto é exposto durante o período gestacional pode interferir no seu desenvolvimento, na sua fisiologia e metabolismo, não só na vida intra-uterino, como também trazendo diversas repercussões na fase adulta”, explica a Dra. Sandi Sato, pediatra da Maternidade Brasília. Entenda mais sobre o assunto!

Como a gestação pode influenciar na saúde da criança?

A predisposição para o ganho excessivo de peso na infância pode ser uma consequência de acontecimentos no período fetal. Se a mulher engravidou na condição de sobrepeso, ganhou peso de forma excessiva durante a gravidez ou desenvolveu um quadro grave de diabetes gestacional, pode ser que a criança que está por vir também tenha sua saúde afetada, com riscos maiores de desenvolver a obesidade infantil, independentemente do peso ao nascer.

“Daí a extrema importância de fazer um acompanhamento regular do pré-na​tal e de priorizar a prática de atividades físicas, mesmo durante a gestação. As avaliações do médico obstetra, nas quais são observados o desenvolvimento do bebê que está por vir e a saúde da mãe, podem fazer toda a diferença no que diz respeito à orientações específicas ou mesmo eventuais diagnósticos. Assim, a saúde dos dois fica em dia!”, ressalta a Dra. Sandi Sato.

Outras complicações graves que podem ser decorrentes de descuidos nutricionais durante a gestação são: síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e aumento da mortalidade cardiovascular na vida adulta.

Os cuidados precisam começar nos primeiros anos de vida

Nem todo mundo sabe o quanto o açúcar pode ser prejudicial para uma criança com menos de dois anos de idade. A ingestão de doces nessa fase eleva o risco de obesidade, tanto na infância quanto na adolescência, além de alterar totalmente o paladar dos pequenos. Afinal, se antes estavam acostumados com o gosto do leite materno e alimentos saudáveis, o açúcar traz um sabor completamente novo e “extravagante” – mais saboroso e mais viciante. Esse fato pode acabar comprometendo as futuras escolhas alimentares da criança, que passa a priorizar preparações açucaradas ou artificiais em relação à opções saudáveis.

“Os primeiros mil dias do bebê, que se iniciam ainda na gestação e se estendem até os dois anos de idade, é o período de grande desenvolvimento da criança – tudo o que acontece neste período irá repercutir em sua vida adulta. Uma alimentação inadequada e de baixa qualidade nessa fase pode proporcionar um risco aumentado de doenças cardiovasculares, obesidade, doenças autoimunes e, até mesmo, infertilidade nos anos futuros”, explica a médica especialista.

Mas não pense que após os primeiros anos de vida está tudo liberado! Durante a infância, o limite de ingestão de açúcar é de aproximadamente 25 gramas por dia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. E isso não envolve apenas os cristaizinhos de açúcar em si, mas sim, também aquele que já vem embutido em sucos artificiais, refrigerantes, balas, biscoitos recheados, pães, bolinhos, macarrão instantâneo, etc. Extrapolar essa quantidade pode, muitas vezes, resultar em hiperatividade, dificuldade de concentração, irritabilidade entre outras complicações psicológicas, fora os desdobramentos referentes ao excesso de ganho de peso.

Como identificar se meu filho sofre com obesidade infantil?

Existem maiores chances de sucesso no tratamento da obesidade durante a infância do que nas outras fases da vida, e eliminar esse vilão com certeza vai garantir melhor qualidade de vida para o seu filho. Para isso, o primeiro passo é identificar o problema junto à um profissional especializado, como um nutricionista ou pediatra, por exemplo. “Se for confirmado o quadro em questão, é recomendável introduzir o quanto antes a prática de exercícios físicos como um hábito diário e iniciar um acompanhamento nutricional”, pontua a pediatra da Maternidade Brasília.

O que posso fazer para evitar essa doença?

Primeiramente, no que se trata das questões alimentares, é fundamental limitar o fácil acesso a alimentos industrializados com alta densidade energética, principalmente fast foods, e priorizar sempre preparações saudáveis e o mais naturais possível. Incentive as crianças a terem um maior contato com os alimentos. Que tal elaborarem refeições juntos, desde a higienização até o preparo final? Uma simples atividade como essa fortalece o vínculo entre pais e filhos e ainda facilita a adoção e a manutenção de hábitos alimentares mais saudáveis. Vocês também podem se divertir fazendo pratos super coloridos e bem diversificados na hora do almoço, ricos em hortaliças e vegetais, por exemplo.

Se o desejo de doce bater, invista em sorvetes caseiros – bata frutas com um pouco de água no liquidificador e coloque na forminha para congelar. Outras opções são os doces de pera ou maçã cozidas com canela, salada de fruta ou doce de abacaxi cozido.

Também é preciso ficar atento ao tempo de tela das crianças. A exposição à televisão, tablet, celular e games intensificam um comportamento sedentário em qualquer pessoa. Mesmo antes da quarentena já foi constatado que, hoje, os pequenos ficam mais reclusos, muito menos expostos às atividades físicas comuns da infância e da adolescência, como pular corda; andar de bicicleta; brincar de pique e jogos com bolas. Portanto, é importante incentivar atividades aeróbicas, mesmo que dentro de casa. Será mais divertido ainda se houver o envolvimento de toda a família!

“A obesidade infantil pode originar diversas comorbidades, como alterações do colesterol, dos triglicérides, da glicemia e da pressão arterial, além dos problemas psicossociais provocados pelo estigma da obesidade. Tais crianças também têm mais chance de ter desenvolvimento motor atrasado, apneia do sono, dislipidemias, maturação sexual acelerada, problemas gastrointestinais e consequências psicológicas associadas à autoimagem negativa, baixa autoestima, distúrbios alimentares e depressão”, de acordo com a Coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Dra. Gisele Bortolini. Uma detecção precoce é essencial para uma mudança do quadro de obesidade. Por meio de uma reeducação alimentar gradativa e da introdução de atividades físicas, a criança terá mais chances de eliminar o risco de levar essa doença para o resto da vida.

Fonte: Dra. Sandi Sato, pediatra da Maternidade Brasília.


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