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Diabetes gestacional: riscos, sintomas e cuidados necessários

O quadro surge durante a gravidez e costuma desaparecer após o nascimento do bebê

O diabetes gestacional é uma doença que pode surgir durante a gravidez. Do mesmo modo como acontece em qualquer tipo de diabetes, ela é uma patologia que atinge a maneira como as células usam a glicose (açúcar), o que provoca níveis elevados da substância no sangue, que pode afetar a saúde da gestante e do bebê. Saiba mais sobre o assunto a seguir. 

O que é diabetes gestacional? 

O diabetes gestacional é a mudança nos níveis glicêmicos que ocorre pela primeira vez durante a gravidez. As mulheres que são diabéticas e engravidam não são consideradas portadoras de diabetes gestacional. Os fatores de risco para o desenvolvimento da doença são a alimentação inadequada, o sedentarismo, o ganho excessivo de peso e os fatores genéticos. 

Esse quadro de saúde merece bastante atenção, pois pode acarretar diversas complicações tanto para a mãe quanto para o bebê, sendo um deles o nascimento prematuro. Para minimizar os riscos, é fundamental a realização do pré-natal e de acompanhamento especializado. 

Quando comparadas com mulheres não grávidas, as gestantes apresentam maior tendência à hipoglicemia, ou seja, à baixa ocorrência de glicose no sangue nos períodos fora das refeições e também durante o sono. Isso acontece porque o feto extrai glicose da mãe mesmo durante o jejum. No decorrer dos meses e do crescimento do feto, maior é a necessidade de glicose. 

O Dr. Renan Mendes, ginecologista e obstetra da Maternidade Brasília, reforça que o objetivo de todo pré-natal de gestante com diabetes é o controle glicêmico. “Até que se consiga esse controle, é preciso assistir essa paciente. Isso vai depender da descompensação do diabetes dela. Às vezes, a condição é controlada só com dieta, então, o médico pode ver essa paciente a cada 15 dias no primeiro e no segundo mês, para examiná-la e confirmar que ela está bem compensada, ou seja, com a glicose controlada, que consegue fazer a dieta, o que é ótimo. E aí o médico pode voltar a ver a paciente a cada três semanas."

Ele explica ainda que: “Já uma paciente que depende de insulina, às vezes, é necessário vê-la toda semana, até controlar a glicemia. E se as taxas estiverem muito descompensadas, pode ser necessário interná-la para conseguir o controle glicêmico, ajustar a insulina e a glicemia e aí, sim, liberá-la para o acompanhamento médico a cada duas ou três semanas. Essa paciente tem que ser acompanhada mais de perto."


Sintomas de diabetes gestacional 

De modo diferente das outras formas de diabetes, que apresentam sintomas como muita sede, fome constante, visão turva, perda de peso e excesso de urina, as mulheres com diabetes gestacional normalmente não manifestam sintomas. Porém, pode acontecer de elas desenvolverem alguns sinais como cansaço, maior volume urinário ou mudanças no apetite, mas tais fatores podem ser um padrão comum da própria gestação. Por isso, é fundamental a realização de exames laboratoriais para a detecção da enfermidade. 


Valores que indicam a doença 

Os valores que confirmam a doença são os seguintes: no início da gestação, a quantidade de glicemia em jejum é maior ou igual a 92 mg/dL; já entre 24 e 28 semanas de gestação: 

- glicemia em jejum – maior ou igual a 92 mg/dL;

- glicemia após uma hora – maior ou igual a 180 mg/dL;

- glicemia após duas horas – maior ou igual a 153 mg/dL. 


Quais são os fatores de risco para o diabetes gestacional?

Algumas características podem apontar aumento do risco de surgimento do diabetes gestacional, entre elas estão:

peso excessivo antes e/ou durante a gravidez;

▪ histórico de diabetes mellitus na família;

▪ hipertensão arterial;

▪ histórico de síndrome do ovário policístico;

▪ uso de corticoides;

▪ mais de 25 anos ao engravidar;

▪ gestação anterior com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia. 


Quais são os riscos para o bebê? 

O perigo de complicações, seja para o bebê, seja para a mãe, aumenta quando não há o controle da doença, e o sangue materno com muita glicose passa para o bebê por meio da placenta. 

Riscos para o neném: 

▪ icterícia (pele amarelada);

▪ o bebê ter mais de 4 quilos, o que pode causar dificuldade no parto;

▪ hipoglicemia (baixa de glicose);

▪ problemas na respiração;

▪ morte. 

Riscos para a mãe: 

▪ infecção urinária;

▪ aumento do risco de desenvolver diabetes no futuro;

pressão alta na gravidez;

▪ parto prematuro;

▪ maior risco de hemorragia pós-parto;

▪ morte. 

O que comer e o que não comer? 

Segundo o Dr. Renan Mendes: “A gestante com diabetes deve adotar uma dieta com carboidratos, proteínas, gorduras, frutas e vitaminas, comer de tudo, do mesmo jeito que uma gestante que não apresenta a condição. Só que essa dieta tem que ser desenhada e ter cada porção calculada adequadamente; ela será individualizada e de acordo com a necessidade calórica, o controle glicêmico e as condições que essa paciente tem. Tudo será observado, e uma dieta específica será criada para essa paciente. Então, ela pode comer de tudo, chocolate, doces, mas em porções certas, com a caloria exata, dependendo do que ela ingeriu durante o dia. A nutricionista vai fazer essa avaliação, mas asseguro que a grávida pode comer tudo o que uma gestante sem diabetes pode comer, mas de forma adequada ao seu quadro de saúde", explica. 

A atenção à alimentação é importante tanto para a prevenção do diabetes quanto para o tratamento da patologia. Logo, faça as três principais refeições do dia: café da manhã, almoço e janta. Além disso, consuma dois ou três lanches, um no meio da manhã, outro no meio da tarde e um último, antes de ir dormir. Evite ficar muitas horas sem se alimentar. As refeições devem conter os alimentos listados abaixo, no entanto, é essencial consultar um nutricionista para a elaboração de uma dieta balanceada. 

▪ Verduras e legumes.

▪ Cinco porções de carboidratos (macarrão, arroz, angu, batata, mandioca, farofa, pães, bolos, biscoitos etc.).

▪ Uma porção de feijões ou oleaginosas (feijão, soja, lentilha, amendoim, castanha etc.).

▪ Uma porção de óleos ou gorduras (manteiga, margarina, azeite, óleo etc.).

▪ Duas porções de carne ou ovos.

▪ Três porções de legumes de raiz (abóbora, cenoura, chuchu, quiabo, vagem etc.).

▪ Três porções de frutas (maçã, banana, abacaxi, laranja etc.).

▪ Três porções de leite ou derivados (queijo, iogurte, coalhada etc.). 

É fundamental seguir as orientações da equipe de saúde, manter as consultas do pré-natal em dia, realizar os exames indicados e conversar sempre com o médico sobre suas dúvidas. Além disso, é preciso que a glicose fique controlada por meio de uma alimentação balanceada, da prática de atividades físicas ou do uso de medicamentos, caso não seja possível monitorar de outra forma.

Para finalizar, o Dr. Renan Mendes destaca: “Hoje é cada vez mais comum a prevalência do quadro de diabetes gestacional, assim como da hipertensão. Isso acontece na população mundial pelo contexto da vida hoje em dia, em que prevalecem uma alimentação rica em carboidratos e gorduras – pela “facilidade" das comidas prontas e dos fast-foods, em função da falta de tempo das pessoas para cozinhar ou do alto valor dos alimentos para se fazerem melhores escolhas alimentares – e o sedentarismo, também fruto da falta de tempo e de condições financeiras adequadas para frequentar uma academia. Portanto, o diabetes é uma doença cada vez mais comum nas sociedades modernas, mas que, ao mesmo tempo, é de fácil correção, por meio de atividades físicas regulares e ajustes na alimentação, práticas básicas que, pela rotina corrida, estão se tornando cada vez mais difíceis."    

Fontes:

https://diabetes.org.br/wp-content/uploads/2021/05/E-BOOK_GUIA_DA_GESTANTE_COM_DMG.pdf

https://www.mdsaude.com/gravidez/diabetes-gestacional/

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